sábado, 29 de agosto de 2009


Eu sou as trevas por trás e por baixo das sombras.
Eu sou a ausência de ar que espera no início de cada respiração.

Eu sou o fim antes que a vida recomece, a deterioração que fertiliza o que vive.

Eu sou o poço sem fundo, o esforço sem fim para reivindicar o que é negado.
Eu sou a chave que destranca todas as portas.

Eu sou a glória da descoberta,
Pois eu sou o que está escondido, segregado e proibido.

Venha a mim na Lua Negra e veja o que não pode ser visto, encare o terror que é só seu.

Nade até mim através dos mais negros oceanos, até o centro de seus maiores medos.
Eu e o Deus das trevas o manteremos em segurança.

Grite para nós em terror e seu será o poder de suportar o insuportável.
Pense em mim quando sentir prazer e eu o intensificarei.
Até o dia em que eu terei o maior prazer de encontrá-lo na encruzilhada entre os mundos.

Sabedoria e a capacidade de dar poderes são os meus presentes.

Ouça-me, criança, e conheça-me por quem eu sou.
Eu tenho estado com você desde o seu nascimento e ficarei com você até que você retorne a mim no crepúsculo final.

Eu sou a amante apaixonada e sedutora que inspira o poeta a sonhar.

Eu sou aquela que te chama ao fim de sua jornada.
Quando o dia se vai, minhas crianças encontram seu descanso abençoado em meus braços.
Eu sou o útero do qual todas as coisas nascem.
Eu sou o sombrio, silencioso túmulo; todas as coisas devem vir a mim e suportar a morte e o renascer para o todo.

Eu sou a Bruxa que não será governada, a tecelã do tempo, a professora dos mistérios.

Eu corto as linhas que trazem minhas crianças até mim.
Eu corto as gargantas dos cruéis e bebo o sangue daqueles sem coração.
Engula seu medo e venha até
mim, e você descobrirá a verdadeira beleza, força e coragem.
Eu sou a fúria que dilacera a carne da injustiça.
Eu sou a forja incandescente que transforma seus demônios internos em ferramentas de poder.
Abra-se a meu abraço e domínio.

Eu sou a espada resplandescente que te protege do mal.

Eu sou o cadinho no qual todos os seus aspectos se misturam em um arco-íris de união.

Eu sou as profundezas aveludadas do céu noturno, as brumas rodopiantes da meia-noite, coberta de mistério.

Eu sou a crisálida na qual você irá encarar o que te apavora e da qual você irá florescer vibrante e renovada.

Procure por mim nas encruzilhadas e você será transformada, pois uma vez que você olhe para meu rosto não existe volta.

Eu sou o fogo que beija as algemas e as leva embora.

Eu sou o caldeirão no qual todos os opostos crescem para se conhecer de verdade. Eu sou a teia que conecta todas as coisas.
Eu sou a curadora de todas as feridas, a guerreira que corrije todos os erros a seu tempo.

Eu faço o fraco forte.
Eu faço humilde o arrogante.
Eu ergo o oprimido e dou poderes ao desprivilegiado.
Eu sou a justiça temperada com compaixão.

Eu sou você, eu sou parte de você, estou dentro de você.
Me procure dentro e fora e você será forte.
Conheça-me, aventure-se nas trevas para que você possa acordar com equilíbrio, iluminação e plenitude.

Leve meu amor consigo a toda parte e encontre o poder interior para ser quem você quiser.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


Imóvel sobre a cama
Percorro todos os cantos
Da minha mente cansada

Tentando encontrar algo seu.

Nada encontro senão recordações.
A sua ausência é a causa deste
desespero doentio.
Te quero aqui junto a mim.

Impossível.
Está longe.
Me esqueceu provavelmente

Mas eu continuo a te desejar

Nunca disse que te amava

Mas vontade não faltou.

Te digo agora.

Na sua ausência e para a sua ausência
Digo gritando: TE AMO!

E sofro por isso.

Porque te amo.

Quando volta ?
(se é que volta)?"

Quando a inspiração se evapora
Os pensamentos são transversais

Tudo na vida é jogado fora

Parasitas e coisas anormais!

Tudo o que se pensa é sentido
Mas queremos que desapareça

Só o ser, pelo ser, ser vivido
Pode pensar que tudo aconteça!

Mas o que quer achar

É difícil de que ilumine a sua vida
Porque o sentimento forte de amar

É coisa a si desconhecida!
Ama, para sofrer
Sofre, talvez por querer
Talvez um dia acabe por morrer

Sem ao menos o amor conhecer!
Diluí as lágrimas no betão
Fortifica as chagas que lhe queimam a mão

As amarras apertam-lhe o coração

Sem razão aparente ou aparente razão?

O espírito é enriquecido pelo sofrimento

Para que não mais volte a tentar

Deixar de lado esse pensamento

De que de novo na parede possa marrar!

Solitude desmedida

Açambarca tudo que lhe vai dentro

Abre-se a fenda da ferida...

Que profunda leva as palavras ao vento!
A ilusão de que as coisas podiam resultar

Se o facto de tentar e tentar

Pudesse permitir alcançar

A doçura do corpo, a captação do olhar!

Tudo resumido numa mente

Que se faz esperar
Fazer de um ser, um ser contente

Só pelo fato de poder se amar!

Tudo caminha, para que o livro possa fechar

E nada mais se possa nele escrever

Porque a palavra Amor nele não consegue entrar

E somente a palavra Amizade acaba por entreter!

"As horas passam.
É madrugada fria e gelada.
Este silêncio noturno
É a minha companhia
Nesta insónia angustiante.