
Quando a inspiração se evapora
Os pensamentos são transversais
Tudo na vida é jogado fora
Parasitas e coisas anormais!
Tudo o que se pensa é sentido
Mas queremos que desapareça
Só o ser, pelo ser, ser vivido
Pode pensar que tudo aconteça!
Mas o que quer achar
É difícil de que ilumine a sua vida
Porque o sentimento forte de amar
É coisa a si desconhecida!
Ama, para sofrer Sofre, talvez por querer
Talvez um dia acabe por morrer
Sem ao menos o amor conhecer!
Diluí as lágrimas no betão
Fortifica as chagas que lhe queimam a mão
As amarras apertam-lhe o coração
Sem razão aparente ou aparente razão?
O espírito é enriquecido pelo sofrimento
Para que não mais volte a tentar
Deixar de lado esse pensamento
De que de novo na parede possa marrar!
Solitude desmedida
Açambarca tudo que lhe vai dentro
Abre-se a fenda da ferida...
Que profunda leva as palavras ao vento!
A ilusão de que as coisas podiam resultar
Se o facto de tentar e tentar
Pudesse permitir alcançar
A doçura do corpo, a captação do olhar!
Tudo resumido numa mente
Que se faz esperar
Fazer de um ser, um ser contente
Só pelo fato de poder se amar!
Tudo caminha, para que o livro possa fechar
E nada mais se possa nele escrever
Porque a palavra Amor nele não consegue entrar
E somente a palavra Amizade acaba por entreter!
