sábado, 28 de março de 2009


O coração tem enigmas e labirintos insondáveis...
Quem terá a chave?

Um nosso fantasma inconsciente ?

Talvez!
E o que ele sente nunca será a minha verdade,
apenas o meu desejo,
que se dilui ao ser revelado o enigma.

domingo, 22 de março de 2009

Para minha namorada e futura esposa




Em meu peito
meu coração, apaixonado por você
bate acelerado, descompassado
Lentamente lateja desejo, paixão...
Entristecido goteja, sangra amor
Entre lágrimas vermelhas
rubras de saudades
meu coração, devorado pela paixão
inspira-se em versos
sussurra as rimas do poema
canta a letra da canção, te chama...
Quando você chega
encantado por seus olhos
meu coração, como mágica
apaga as lágrimas
pulsa agitado
entrega-se, enfeitiçado de desejos
ama-te inquieto, insaciável...

sábado, 21 de março de 2009


É estranho entender

Quando há algum tempo atrás

Achei que não fosse mais te ver

Tão pouco te beijar novamente

Te sentir do meu lado....

Nos meus sonhos você me fez lembrar de um antigo amor

Agora você faz deles sua moradia espiritual

Aparece pra mim toda noite

Me fazendo propostas indecorosas

Que não posso recusar...

Conheci um lado seu,fraco,emotivo, brincalhão

Cheio de medos e pontos fracos

Você me deixou entrar no seu coração e te guiar

Confiou sua vida a mim e perdeu o medo de amar.

Conquistei seu coração e vou conquistar muito mais.

Suas palavras doces,penetram na minha mente

Fazendo com que seja impossível te esquecer

Quero fugir com você Feche os olhos(me guie)

Sigo os seus passos(não me deixe)

Abra seu coração(O que te faz tão especial?)

Me entrego a você(Não importa,eu te amo)

Nos meus sonhos você me enfeitiça

Mostra cada dia um novo você.

Me faz enfim sentir gosto pela vida

Vontade de te ver novamente

Paixão pelo teu ser.

O que te faz especial?

Não importa,eu te amo!

Quer mesmo saber?

Seu jeito novo de me fazer ver as coisas de forma diferente

Seu olhar,que me prende dentro dele

Sua voz, que me segue aonde vou.

Meus pensamentos que só conseguem concretizar uma coisa...

Você.

Sabe, meu amor

Obrigada por me fazer sentir tão vivo de novo

Mas, não continuarei vivo por muito tempo

Apenas realizarei seus sonhos

E partirei feliz por saber que um dia você voltou pra mim.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Campos de inocência


Eu ainda me lembro do mundo

Dos olhos de uma criança

Devagar esses sentimentos

Foram encobertos pelo que eu sei agora

Para onde foi o meu coração?

Uma troca injusta pelo mundo real

Eu quero voltar

A acreditar eu tudo e não saber nada

Eu ainda me lembro do sol

Sempre quente nas minhas costas

De alguma maneira parece mais frio agora

Para onde foi meu coração?

A manha seguinte


Tantas pessoas a vêm

Mas ninguem a vê como eu

Porque na sombra de sua luz

Longe eu me sento e espero

Eu preciso de você -

Eu preciso da sua luz

Porque das sombras eu não consigo escapar

Você não me vê -

Você não me conhece

Mas mesmo assim eu a amo à distância

Eu a estimo - eu a idolatro

Eu a espero - a desejo

Eu a sinto - eu a conheço

Eu a acompanho - a exalto

Não posso continuar sem você

Essa é a manhã seguintee minha alma alqueivada* jaz esperando

Essa é a manhã seguinte

Um novo dia está começando

E o meu tempo está se escoando

Tudo isso eu escrevo para você

E ainda muito mais eu diria

Se eu pudesse transformar em palavras

Todo o sofrimento do meu amor

Não a mensagem para lamentar

Essas poucas linhas eu mando para você

Mas apenas para dizer -

Eu te amo

Essa noite essas palavras chegarão para você

Eu rezo para que você as leia todas

Eu esperarei por você à primeira luz do dia

Esperarei para ver sua luz radiante

Eu sonho que você me verá em breve

Que você se ajoelhará na escuridão

E me levantará para você na luz

Essa é a manhã seguintee minha alma alqueivada* jaz esperando

Essa é a manhã seguinte

Um novo dia está começando

E meu tempo está se escoando.

Escuridão


Meu coração - meu amor

Uma palavra - se foi

Para ficar - eu vou acreditar e rezar

Para ver - para sentir

Para ouvir - ser e se foi

Como posso conseguir estar perto de você?

Como eu posso - o idiota

Beleza não pode ser vista e sim beijada

Eu tenho tanto amor para dar

Mas aonde está você e como alcança-la?

Posso eu dizer?

Posso eu falar?

E posso descançar minha cabeça em seu colo?

Posso eu escolher e posso eu dizer te amo?!

Escuridão me rodeia

Minha cabeça está pendurada

Seus braços estão longe

Seu fôlego me leva

Além disso, estou apaixonado

Estou apaixonado por você

Mas você tão longe de mim

Eu estou resistindo

Suas palavras - seu rosto - sua respiração

Seu toque - seu coração poderia me encobrir

Mas tudo o que você faz é me assistir

Então eu dispenso toda sua graça

E muito além a escuridão cresce

E me leva de volta às minhas raízes

E a saudade e a dor

Na escuridão e desgraça

Beleza não pode ser vista e sim beijada

Eu tenho tanto amor para dar

Mas aonde está você ?

E como alcança-la?

O cair da noite


Chame teu nome ao anoitecer

Alcance por tua rosa da vida

Atire teus véus ao pôr do sol

Transgrida a decadência em meus salões

Próspera beleza

Abraçada pelo coração do éden

Grite teu nome lacrimoso

Revele para mim tua mais profunda perda

Atire... apresse minha selvagem muralha

Por um fim Tua selvageria... gélida noite

Em vida tuas lágrimas brotam escarlates

Venha desejado anoitecer

Arrebate minha dolorosa perda

Vida lamentada ao pôr do sol

Transgrida as sombras em meu coração

Ascenda diante de mim

Deixe em testamento tua dolorosa perda

Sombrio ao coração eu lamento por ti

Devolva a vivacidade que ela uma vez perdeu

quarta-feira, 18 de março de 2009

O Tempo


Criado para nos lembrar da nossa condição de mortais...

Continua implacável e inabalavelmente perante a precária condição humana...

Como um tanque que esmaga o corpo do inimigo...

Essa crueldade só poderia encontrar criação demoníaca...

Ou teria sido Deus!?

Um Deus...

No entanto continuamos a submetermo-nos à sua crueldade

E pactua-mos com a sua vontade...

Ele está em todo lado:

No nosso pulso,

Na parede,

Ao lado do nosso leito...

Maquiavélica Geringonça...

Não se enganem... cada segundo que passa não voltará nunca mais atrás...

Cada instante em que trememos...

Está perdido para sempre!

Ele apenas serve para nos lembrar...

Que o fim é inevitável...

O tempo urge,

E ele está decidido em prova-lo a cada movimento perpétuo seu...

Vivemos olhando para ele e apreendo que o fim da linha está cada vez mais próximo...

Será mesmo necessária tal recordação permanente?

Para morrer basta estar vivo...

Mas é necessário viver?

Ainda aqui?

Vai! Vive! ...

O tempo urge...

O despertar de uma nova espécie.

O deslumbrar do futuro...

Eu! Homo Superior, filho do abismo e da humanidade...

A perfeição da essência e a essência da perfeição.

Livre da carne e livre de espírito...

Incapaz de amar, pois sou estéril de fraquezas.

Sou aquele que nada teme, pois nada tem a perder, nem a ganhar

O limite da existência foi já atingido.

Eu sou aquele que vc nunca será, nem sonhará...

Nasci para apagar a "humanidade" do seu significado...

Amanhã todo o livro será negro,

Negro carregado,

Tão carregado que nem mesmo os demónios se atreveriam a imagina-lo assim......

O meu propósito é apenas o de redimir o mundo do seu pecado...

A sua própria existência!

Hoje sou a unidade,

Mas amanhã haverá muitos mais...

A semente irá se espalhar

Mas não posso permitir que ela seja corrompida por vcs, ou mesmo por eles...

Não!

Os indignos serão apagados,

Tal como o serão o céu e as trevas...

Pois eu sou livre de existir...

Curvem-se perante o primeiro de uma nova espécie...

Da única espécie:

Contemplem Homo Superior!

Elevem-se!...

Ou para sempre sejam esquecidos!"

Reflecção


Hora de confrontar o espelho...

Aquele momento por que anseio vorazmente, s

Sndo que tudo faço para reprimir tal voracidade.

Não há uma única célula neste cadáver que seja digna do nome "Eu"...

Vejo-me nu e amarrado, impotente perante o impiedavel tempo que teima em não abrandar, Fazendo da minha vontade de melhorar e evoluir,

Um fumo cada vez mais efémero e disperso.

O vulto à minha frente não faz juz à escultura mental da qual fui o principal autor,

Sou apenas mais um pedaço de carne em decomposição...

É apenas uma questão de tempo até que o odor desencadeie a repulsa...

Amanhã acordarei sozinho, num leito de madeira...

Num qualquer subsolo agreste e ao mesmo tempo misericordioso.

Porém o tempo é hoje, o agora, o instante que se sucede criando a ilusão de intemporalidade...

Ouço o alarme tocar e percebo que o meu tempo acabou...

Enquanto buscava a perfeição da minha criação,

Enquanto fugia do cadáver que me perseguía

Fui me afastando de mim mesmo...

Abandonei-me a mim próprio.

Fui órfão...

Fui refém...

Fui aquilo que nunca quis ser...

O alarme toca outra vez como que a insistir que o meu tempo acabou...

Houvesse amanhã e talvez eu ousa-se...

Viver...

Cortar-me e ver o sangue fluir...

Saber que estava vivo...

O alarme irá tocar outra vez,

Mas desta vez já não estará ninguém para o ouvir...

A arte negra do amor



O mergulho nas profundezas de mim mesmo revela surpresas e armadilhas que me fascinam tanto quanto me envenenam o espírito, mas não o corpo...

Para esse o veneno é outro, é um elixir de sangue, suor, lágrimas e a saliva de uma noite...

A questão da natureza do meu eu, não é sequer relevante, não me perturbam os dedos apontados ou julgamentos menores...

Essa incompreensão apenas me torna claro qual o caminho a seguir...

Existe algo no abismo de incrivelmente magnetizante,

O pulsar cósmico que nos faz bombear o sangue e avançar lenta mas seguramente na sua direcção...

A atracção pelo negro, pelo desconhecido, pelo calor, pela luxuria, pelo pecado...

É incrivelmente romântica e sensual.

Não o romantismo dos manuais, mas sim o romantismo da arte,

O romantismo de viver e acima de tudo o romantismo da arte de viver......

É esta energia que pulsa dentro de mim, a avidez de quem sabe os segundos escassos, que me impele na tua direcção...

A ânsia de corromper, de amanhã ser recordado mas hoje desejado,

É o comer e ser comido...

Vivo, antes que deixe de ser possível......

Os limites à muito foram esquecidos...

Não existe barreira senão a morte ou a falta de energia criativa, essa conhecida por imaginação......

Anseio por carne, pelo calor de um corpo, pelo toque,

Com a pressão de quem sente o momento como ultimo, desejo e sou desejado,

Perpetuo o instante num só segundo...

E faço-o com maestria, repetidamente...

"A arte negra de amar" não é mais que um ato egoísta e fútil...

E isso faz todo o sentido para mim...

Acorda o sangue nas minhas veias,

Acelera o meu cérebro para velocidades inconcebíveis

Provocando assim a metamorfose do homem em predador...

Predador de amor... essa estranha palavra que há muito esquecemos o nome e cujo significado substituímos por algo muito mais confortável......

Não há no meu percurso espaço para falsas morais ou pessoas desajustadas,

Os dados estão lançados e a sedução dança a meu lado...

Viva a audacidade de quem deseja viver antes de desejar ter vivido......

A arte negra espera por quem não teme viver...

Procura dentro de ti pois foi ai que eu a encontrei,

Numa reflexão sincera e honesta comigo mesmo,

No mergulho das minhas profundezas...

Carne Viva


Carne Viva
O desejo de ser único, de ser uno, que me escorre pelo corpo, que se confunde com suor, com lágrimas, com sangue, com sentimentos... é ele que faz de mim presa neste jogo de predadores.

Todos nós somos predadores neste jogo, no entanto há sempre alguém que fura as nossas defesas disposto a despedaçar-nos... eu amo a adrenalina do jogo da mesma forma que me amo a mim mesmo, e há alturas em que amo até as presas...
É indescritível o mórbido prazer de controlar a caçada, de manipular e conquistar, de seduzir e devorar...
Sou selvagem.
Tento esconde-lo à sombra do racional e sóbrio, no entanto como que um vampiro há um rugido dentro de mim que faz estremecer todo o meu ser.
Aqui não há moral nem divindades que nos possam valer, não há juízes nem leis, não há impossíveis nem amor, nem ódio.
Apenas eu e tu.
O tempo dança connosco e tolda-nos a sua percepção.
A porta está sempre distante e sempre fechada, e a vontade de a abrir ficou do outro lado. Apenas há espaço para a união e para a consumação de mais uma queimadura na alma.
Essa mesmo, que vive permanentemente em "carne viva", assombrada e torturada, mas nunca, nunca arrependida.
A admiração por vezes arrebata-me, como podem as presas invadir e provocar?
Deambular perto de mim com a ingenuidade de uma cria que se sente sempre protegida.
E a maior ironia... por mim!
Por vezes há aquelas que mais não são do que belos necrofagos disfarçados, aguardando apenas um suspiro meu, para me arrancarem mais um pedaço deste meu cadáver em constante decomposição.
Sei que não me matam, pois isso há muito começou e tem data marcada, no entanto tornam ainda mais selvagem e cruel este mundo em que habito.
Matam todas as fantasias de uma alternativa, como se fossem lobos num banquete.
Destruindo qualquer possibilidade ou fuga que eu pudesse sequer equacionar.
Assim sou cada vez mais um vampiro, não de sangue, mas sim de vida.
Um verdadeiro adicto de vida, sem controlo nenhum da situação, apenas controlando de forma exímia a arte de quem caça e é caçado.
Serás tu o meu predador ou serei eu o teu?
Oxalá não seja apenas mais um.
Anseio pelo golpe final em que tudo pára e eu deixo de ser miseravelmente humano.
Até lá sinto a alma em "carne viva".

Incompleto


Seguro a lâmina como se de um espelho da alma se tratasse,

A mesma que uso e reuso para podar pedaços de mim

Enquanto procuro o pedaço que falta dentro de mim mesmo.

Porém, por mais fundo que vá apenas a dor aumenta e nada deslumbro.

É nos instantes em que o sangue pulsa como se fosse capaz de berrar,

Que eu percebo que me vou despedaçando em busca daquele pedaço que me falta.

O que irá completar-me, tornar tudo óbvio ,

Harmonioso e perfeito.

A dor regressa, acaba o suspiro,

Continuo incompleto e volto a despedaçar-me.

E vou cortando, e vou sangrando,

E vou morrendo, mas vou buscando...

Incompleto e humanamente miserável.


Incompleto!

15º Maldição


Tu me enganaste por quinze vezes (...)

Lanço a ti a pior de minhas maldições;

Que a partir de hoje seus olhos apenas vejam dor e sofrimento,

Que os demônios e almas do inferno o atormentem até sua derradeira morte (...)

E mesmo depois que sua alma abandone sua carne,

Nela ainda restarão os resquícios de seu carma

E ao olhar do primeiro infeliz sobre tua carcaça morta,

A ele corresponderá carregar consigo essa maldição e a ele restara o mesmo fim derradeiro de ti, Passando assim a maldição a outro medíocre ser que ao seu corpo dirigir o olhar (...)

Que isso perdure não apenas as quinze vezes que tu me traíste,

Mas quinze vezes quinze

Vejo luzes dançantes
No escuro me sinto só
Protegido pela névoa
Camuflado pelo meu corpo
Busco o sentido
O sentido de tudo
O porquê de cada ato
De cada passo predestinado
Agora vejo-as girando
Não param de girar
A vida passa aos meus olhos
Num piscar do universo
Um insight passa sobre meus pensamentos
Me deixando louco por um segundo
...ou talvez normal
Vejo os extremos quase se tocando
Como num atalho imaginário
O impossível agora
pode ser alcançado
E o improvável se torna inevitável
Sombras invadem minha mente
Demônios riem nas trevas
O confronto é incessante
A vitória é sempre incerta
O magnetismo das forças
traz consigo a eternidade da luta
O momento inoportuno e difícil
proclama o final já esperado
O brilho da espada do guerreiro
não reflete mais
seu olhar imponente
Seu cavalo alado
agora quase morto
descansa ao seu lado
O elmo, antes reluzente
Agora chanfrado de tantas batalhas
Não mais o protege no combate
Sinto a bandeira do inimigo
Fincada em minha alma
O guerreiro está ferido
e a batalha perdida
Volto à realidade insana
E não consigo mais pensar
Mas percebo agora
o sentido dessas linhas
No decorrer da vida
a guerra seguirá
Só espero ao fim dela
conseguir achar
a razão... o objetivo
que me trouxe até aqui
Que me fez, um dia, acreditar
Que me fez, dessa vez...
à sanidade voltar

segunda-feira, 16 de março de 2009

Entre o amor e o ódio


Entre o amor e o ódio

meu mórbido ser,

desfalecido e quase morto

ainda luta pra viver
Metade luz,a outra escuridão,

unidas em um só corpo,

em um mesmo coração.
Vida e morte...

Que guerrilham pra vencer,

o amor pela esperança,

o ódio é pra esquecer.
Se misturassem as duas partes

uma sombra nasceria

e a paz tão esperada finalmenteeu encontraria.

†Cemitério†




Sentado no cemitério


Lendo um livro, mistério


Pensando em ti


Não estas aqui.
Nunca toquei


Sua pele macia


Somente amei


E você se distancia
Cada vez mais


Mais longe estas de mim


Deixe o meu coração em paz


Diga apenas sim
Porém já é tarde


Já me envenenei


Meu coração arde


Saiba que te amei
Quero ser o primeiro


Que morreu por ti


Diga ao coveiro


Que me enterre aqui
Onde bateu meu coração


Pela última vez


Segure minha mão


E beije-me pela primeira e última vez

domingo, 15 de março de 2009


Mordendo as crinas do corcel da sombra,

Sufocando, arquejante passarei

Na noite do infinito.

Ouvirei essa voz que a treva assombra,

Dos lábios de minh`alma entornarei

O meu cântico aflito!
Flores cheias de aroma e de alegria,

Por que na primavera abrir cheirosas

E orvalhar-vos abrindo?

As torrentes da morte vêm sombrias,

Hão de amanhã nas águas tenebrosas

Vos rebentar bramindo.
Morrer! morrer!

É voz das sepulturas!

Como a lua nas salas festivais

A morte em nós se estampa!

E os pobres sonhadores de venturas

Roxeiam amanhã nos funerais

E vão rolar na campa!
Que vale a glória, a saudação que enleva

Dos hinos triunfais na ardente nota,

E as turbas devaneia?

Tudo isso é vão, e cala-se na treva

Tudo é vão, como em lábios de idiota

Cantiga sem idéia.
Que importa?

Quando a morte se descarna,

A esperança do céu flutua e brilha

Do túmulo no leito:

O sepulcro é o ventre onde se encama

Um verbo divinal que Deus perfilha

E abisma no seu peito!
Não chorem! que essa lágrima profunda

Ao cadáver sem luz não dá conforto...

Não o acorda um momento!

Quando a treva medonha o peito inunda,

Derrama-se nas pálpebras do morto

Luar de esquecimento!
Caminha no deserto a caravana,

Numa noite sem lua arqueja e chora...

O termo... é um sigilo!

O meu peito cansou da vida insana;

Da cruz à sombra, junto aos meus, agora

Eu dormirei tranqüilo!
Dorme ali muito amor... muitas amantes,

Donzelas puras que eu sonhei chorando

E vi adormecer.

Ouço da terra cânticos errantes,

E as almas saudosas suspirando,

Que falam em morrer...
Aqui dormem sagradas esperanças,

Almas sublimes que o amor erguia...

E gelaram tão cedo!

Meu pobre sonhador! aí descansas,

Coração que a existência consumia

E roeu um segredo! ...
Quando o trovão romper as sepulturas,

Os crânios confundidos acordando

No lodo tremerão.

No lodo pelas tênebras impuras

Os ossos estalados tiritando

Dos vales surgirão!
Como rugindo a chama encarcerada

Dos negros flancos do vulcão rebenta

Goltejando nos céus,

Entre nuvem ardente e trovejada

Minh`alma se erguerá, fria, sangrenta,

Ao trono de meu Deus...
Perdoa, meu Senhor!

O errante crente

Nos desesperos em que a mente abrasas

Não o arrojes pelo crime!

Se eu fui um anjo que descreu demente

E no oceano do mal rompeu as asas,

Perdão! arrependi-me!

quinta-feira, 12 de março de 2009

†Asas da Imaginação†


Na beira de um penhasco, de braços abertos

Pensando em me descontrolar e apenas pular

Se cair estou morto, disso estou certo

A menos que algo me faça voar
Voar pra outro mundo, outro lugar

Quero ir para onde eu puder te encontrar

Mesmo que seja em meu sonho, imaginação

Já que aqui reina em mim a solidão
Solidão não fui eu que escolhi

O que eu queria mesmo era estar junto de ti

Pena que isso não pude escolher

Tenho que solitário viver

Até um dia quem sabe encontrar

Outro alguém a quem eu possa amar

†Tempo Perdido †


Depois de muito tempo desisto da morte

Não tenho certeza se isso foi sorte

Assim como não sei ao certo se te amar

Poderia ser considerado talvez azar
Pois perdi dias e meses a me magoar

Esquecendo o mundo, somente em ti a pensar

Mesmo assim, não posso me arrepender

Pois com isso muito tive a aprender
Aprendi que devo o que sinto falar

E mostrar o mais rápido possível quando eu amarpara o mesmo erro não mais cometer

E com esses erros tiver de viver
Agora estou pelo mundo a procurar

Algo ou alguém pra me reanimar

Talvez alguém me faça esquecer

Talvez a minha vida apenas eu deva viver
Mesmo que esse dia nunca venha a acontecer

Aproveitaria tudo sem mais tempo a perder

E para sempre terei de lembrar

De todo esse tempo que perdi a te amar

†Confuso†


Pensando em tudo e meio desligado

Sem prestar atenção em minha volta

Sem o que escrever, mas inspirado

Muita calma misturada a revolta
Lembrando de ti a cada segundo

Não estou mais aqui, não neste mundo

Meio isolado, muito pensativo e mudando de humor sem motivo
Com confusões e conflitos internos

Pensamentos me deixam no inferno

As dúvidas estão me destruindo
Tento parar de pensar e viver

Todos problemas enfim esquecer

Mas agora não estou conseguindo

†Faca contra o peito†


Sentado em minha cama

Olhando pela janela

Lá fora a chuva cai, insana

Lembro mais uma vez a voz dela
A faca em minhas mãos

Coloco sua ponta contra o peito

Poderia ter sido melhor

Porém não sou perfeito
Escuridão tão bela predomina

Apenas o brilho da lâmina

Será isso que o futuro me destina?
Um raio faz tudo brilhar

Guardo a faca, desisto mais uma vez

É melhor parar e pensar
A porta se abre, boa noite ela diz

Não sabe o que acontecera

Mas durmo um pouco mais feliz
Olho pela janela mais uma vez

A chuva cai e me tranqüiliza

Tão bela e destrutiva, mas ela o faz

Tranqüilizo-me mais uma vez

E impediu a morte, não deveria ser agora e ela avisa

Fez-me largar a faca que na gaveta agora jaz

segunda-feira, 9 de março de 2009

†Soneto do Solitário†


Triste e solitário sempre a viver

Pelos cantos calado, e a sofrer

Mente vazia sem pensar em mais nada

Apenas deixando passar a vida
Não mais esperando por sua atenção

Não mais querendo ter seu coração

Quero de volta o tempo que perdi

Em todos momentos que pensei em ti
Mas não me arrependo de ter te amado

De nada que eu sempre tenha pensado

Me arrependo apenas de não ter dito
Não disse e não direi mais nessa hora

Não adianta mais dizer nada agoraJá que não volta esse tempo maldito

†Mais um sonho†


Mais uma noite acordado, olhando para lua,

Somente pensando em ti, em como seria bom

Se eu pudesse ter-te somente mais uma vez,

Que fosse por alguns segundos, que fosse...
Mas não, sou somente mais um na rua,

Mais uma alma solitária como tantas, sem som...

Se eu pudesse, como eu queria, quem sabe?

Talvez...

Talvez se eu tentasse e não me preocupasse,

Talvez eu conseguisse, mas não...
Não é medo, já disse, não temo nada

Porém não sei... o que seria então?

Será preocupação de preocupar minha amada?

Ou temo ter a certeza de não poder...
Ah! Infernos...

Por que tenho de ser assim?

Por que tive de perder para perceber?

Por que somente assim percebi que a amava?
Lerdo, idiota, será que nunca aprenderás?

Terás de perder sempre para perceber?

Terás que sofrer sempre?

Onde tua mente andava?

Será que a partir de hoje verás?

Será que aprendestes e serás mais rápido?
Saia de minha mente...

Não me repreendas, já aprendi,

Tentarei não fazer novamente

Agora compreendi...
Será que compreendeste mesmo?

Será que aprendeu tua lição?

Ou será que fará tudo igual?

Acorde garoto, fará tudo igual novamente...

Ou não?
Apenas o futuro dirá,

Não adianta falar, não mudarei

Lerdo, idiota, covarde... mas somente o tempo dirá...

Se mudarei, se serei diferente, se viverei...
Enquanto isso espero... apenas olhando para a lua,

Acordado algumas horas, entre estrelas,

Esperando a próxima fase, o próximo amor...

Será que virá?

Será que conseguirei?

Alguns sons em minha cabeça, no fundo a voz tua,

Cabeça perdendo a noção do tempo, sonolência,

Será que na próxima vez que amar perceberei

Ou continuarei assim... nessa demência...

A apenas por minha vida passar vê-la?

†Bala Perdida†



Um corpo sem vida

Uma alma perdida

Um corpo no chão

Um parado coração
Pele branca e fria

Mente agora vazia

Olhos fechados

Órgãos parados
Bala perdida

Levou mais uma vida

Tiroteio, matança

Era só uma criança
Pais aflitos

Assassinos malditos

Mataram um inocente

Sociedade sem mente
As pessoas só pensam

Depois que erram

Depois que matam

Depois que pecam
O mundo só mudará

Quando começarmos a pensar

E apenas fizermos

O que para nós quisermos
Não existiriam essas mortes

Viver não seria apenas sorte

Velhice não seria história

Assim como é agora
Assaltos lendas seriam

Assassinos acabariam

Pessoas tranqüilas dormiriam

E felizes, enfim, seriam

domingo, 8 de março de 2009

†Estrada†


Ando sozinho

Pelo meio da estrada

Pelo meu caminho

Sem minha amada
Os carros passam ao meu lado

As pessoas não notam como eu sou

Penso no meu passado

Sinto que nada passou
Se eu for atropelado

Não levo da minha vida saudades

Morrerei sem ser amado

Sem satisfazer minhas vontades
Sem ter ninguém que me queira

Ninguém para amar

Estou quase na beira

De me matar

†Crise de Existência†


Pra que existo

Não sei responder

Sei que insisto

Em saber
Se existimos pra amar

Não sirvo pra nada

Vivo a procurar

A minha amada
Quando penso que achei

Nunca dá certo

Ou me enganei

Ou não está perto
Sempre me ignora

Desde que te achei

Ainda mais agora

Que te amo, eu sei
Se do precipício eu pular,

Se eu morrer

Ninguém vai notar

Ninguém vai sofrer
Então para que existir

Sem amor

Minha falta ninguém irá sentir

Disso eu tenho pavor

†Distância†


Suicídio não é nada

Comparado a viver

Longe de minha amada

Prefiro morrer
Morrer é piedade

Não quero sofrer

Mas tenho vontade

De sobreviver
Sobreviver amando

Apesar da distância

Sobreviver suportando

A grande distância
Distância que um dia

Talvez será vencida

Somente neste dia

Terei a uma boa vida
Uma vida de amor

Amor e ter você

Acabará a dor

Me restará você

†Socorro†


Procuro socorro

Num mundo vazio

Um dia eu morro

Nesse mundo frio
Sem ninguém eu vivo

Sem ninguém eu morro

Apenas sobrevivo

Sem nenhum socorro
Acordo no inferno

Me sinto tão frio

Num sonho eterno

Num cemitério vazio
Onde está o carrasco

Me leve daqui

Pularei do penhasco

Se não me matar aqui
Não quero terror

Não quero esquecer

Sem seu amor

Prefiro morrer
Agora eu morro

Sem ajuda, sem sorte

Peço socorro

Consigo a morte

†Vida Solitária†


Algumas vezes a morte

Quando não se tem amor

Pode ser considerada sorte

Ou a fuga do pavor
Pavor de nunca na vida encontrar

Alguém que você tenha para amar

Alguém para sempre ao seu lado

Alguém que te queira em um lugar sossegado
Alguém que te queira a todo momento

Alguém que nunca seja um tormento

Alguém que para sempre você possa contar

E ao seu lado sempre possa estar
Mas se nesta vida eu não encontrar

E outra vida eu possa ter

Em outra vida tornarei a tentar

Isso eu posso prometer
Mas talvez eu nunca consiga

Alguém mais que uma amiga

Uma pessoa para ser minha amada

E nunca terei a paz tão desejada