
Hora de confrontar o espelho...
Aquele momento por que anseio vorazmente, s
Sndo que tudo faço para reprimir tal voracidade.
Não há uma única célula neste cadáver que seja digna do nome "Eu"...
Vejo-me nu e amarrado, impotente perante o impiedavel tempo que teima em não abrandar, Fazendo da minha vontade de melhorar e evoluir,
Um fumo cada vez mais efémero e disperso.
O vulto à minha frente não faz juz à escultura mental da qual fui o principal autor,
Sou apenas mais um pedaço de carne em decomposição...
É apenas uma questão de tempo até que o odor desencadeie a repulsa...
Amanhã acordarei sozinho, num leito de madeira...
Num qualquer subsolo agreste e ao mesmo tempo misericordioso.
Porém o tempo é hoje, o agora, o instante que se sucede criando a ilusão de intemporalidade...
Ouço o alarme tocar e percebo que o meu tempo acabou...
Enquanto buscava a perfeição da minha criação,
Enquanto fugia do cadáver que me perseguía
Fui me afastando de mim mesmo...
Abandonei-me a mim próprio.
Fui órfão...
Fui refém...
Fui aquilo que nunca quis ser...
O alarme toca outra vez como que a insistir que o meu tempo acabou...
Houvesse amanhã e talvez eu ousa-se...
Viver...
Cortar-me e ver o sangue fluir...
Saber que estava vivo...
O alarme irá tocar outra vez,
Mas desta vez já não estará ninguém para o ouvir...
