quarta-feira, 18 de março de 2009

Reflecção


Hora de confrontar o espelho...

Aquele momento por que anseio vorazmente, s

Sndo que tudo faço para reprimir tal voracidade.

Não há uma única célula neste cadáver que seja digna do nome "Eu"...

Vejo-me nu e amarrado, impotente perante o impiedavel tempo que teima em não abrandar, Fazendo da minha vontade de melhorar e evoluir,

Um fumo cada vez mais efémero e disperso.

O vulto à minha frente não faz juz à escultura mental da qual fui o principal autor,

Sou apenas mais um pedaço de carne em decomposição...

É apenas uma questão de tempo até que o odor desencadeie a repulsa...

Amanhã acordarei sozinho, num leito de madeira...

Num qualquer subsolo agreste e ao mesmo tempo misericordioso.

Porém o tempo é hoje, o agora, o instante que se sucede criando a ilusão de intemporalidade...

Ouço o alarme tocar e percebo que o meu tempo acabou...

Enquanto buscava a perfeição da minha criação,

Enquanto fugia do cadáver que me perseguía

Fui me afastando de mim mesmo...

Abandonei-me a mim próprio.

Fui órfão...

Fui refém...

Fui aquilo que nunca quis ser...

O alarme toca outra vez como que a insistir que o meu tempo acabou...

Houvesse amanhã e talvez eu ousa-se...

Viver...

Cortar-me e ver o sangue fluir...

Saber que estava vivo...

O alarme irá tocar outra vez,

Mas desta vez já não estará ninguém para o ouvir...