quinta-feira, 21 de maio de 2009


Entre quatro frias paredes
Cela solitária
Aqui apenas mais jovens corpos
Unidos não só pela dor
Mas pelo querer

Ser livre era ser morto
Viver calado

Para nós não é vida

Sobrevivência para muitos

Para os fracos

Surdo pelos gritos

Um querer de respostas

Entre a dor e o sangue

Durante choques

Por toda a fase de temporal

Aqui no céu

Que chorava por seus filhos

Mortos, esquecidos, sumidos

Durante toda a minha estada no inferno
Lutei pela vida
Não apenas por ela
Eu queria poder voar

Mas queriam cortar minhas asas

Por isso esse pássaro morreu

Como muitos

Mas a liberdade brotou por nossas mãos

No escuro jardim do Brasil

Em troca de muitas vidas

Depois da chuva vermelha

Mas há ainda hoje

Os anjos que choram

Por que as marcas são profundas

E nunca serão esquecidas