
No retângulo mágico que perdeu o encanto
nas letras trágicas vermelho negro dos jornais
em tudo o que é escrito ou falado
em cada dia não conto os mortos
da guerra, da fome, da injustiça.
Para quê contar baixas
quando a esperança se extingue?
Só conto olhares pergunta de crianças esfarrapadas
rugas de mulheres onde as lágrimas fazem leito.
Conto gritos de silêncio nos olhos dos homens
e deixo que a dor me tome,
me embale, me segredeme
grite até que eu sinta
me encoste na parede áspera e fria da realidade.
