sábado, 31 de janeiro de 2009

Dedico a minha amiga Suicide Angel


Olá minha pequena criança da noite

Minha menina de olhos tristes e sonhos despedaçados

De lágrimas cristalinas

E de sorriso brando...

Fui arrancado de meu lar nos céus

Sobrevivi a minha queda vertiginosa

Despedacei-me sobre esse solo contaminado

Com minhas asas quebradas e sem poder retornar

Fui condenado a chamar essa nova terra

Terra triste e descrente de lar...

E é nessa terra obscena e perversa

De mortes e sofrimento

De amores irreais

Nessa terra doente

É que trilharei meu caminho...

E numa de minhas vigílias noturnas

Encontrei-a, talvez por acaso, enquanto recitava minha desgraça sob versos tristes, sobre o telhado que já foste uma moradia

E você aproximou-se de mim

Em passos lentos e notórios

Escondendo-se por trás do véu negro da noite

E seus olhos vermelhos a me observar

E eu, em silêncio, também a admirava por debaixo da luz da lua...

E o tempo passou, e todas as noites nosso encontro era inevitável

Nosso encontro marcado e mudo

Envolto a olhares e sussurros

E você tornou-se minha companhia agradável

Fizeste-me companhia nas noites frias de inverno

E quando dei por mim, nossas bocas já tinham se beijado...

E por várias noites seguintes, se fizeram iguais

Por muitas noites nos permitimos nos tocar

Por muitas noites nossa desgraça foste nossa maior bênção

Por muitas noites dividimos a mesma cama...

Nas sombras da escuridão

Encontrei uma luz branda e obscurecida

Uma luz tão branda e suave

E tão tomada pela maldade dessa terra

Amaldiçoada a vagar pelas noites frias da cidade do caos

E como pode, um anjo e uma vampira

A luz e a escuridão dividir a mesma cama?

Tomados pelo pecado e pela pureza

Sentir o céu e o inferno juntos...

A luz não poderá ser vista se não houver a sua sombra

E a sombra não existirá se a luz não se fizer presente

Mas nunca um tomará o lugar do outro

E jamais a luz será sombra por muito tempo

Dois pontos distintos, no caminho chamados destino

Somos diferentes demais para nos darmos ao luxo de amar

Temos muitos pedaços de nós mesmos espalhados pelas ruas

Para deixarmos partir mais ainda os resquícios de nossos sonhos

Para deixarmos um ferir ao outro

Temos diferenças demais para sonharmos

Somos dois mundos diferentes que jamais se tocarão

Mas que se completam...

Não! Não quero ir embora

Não quero despedaçar seus sonhos

Quero poder te amar, mesmo de longe,

Pois você, assim como eu

Entende a dor de ter seus sonhos destruídos

Viver pelo simples fato de manter-se de pé...

Mas que nossos momentos vivam eternamente dentro de mim

Pois não poderei tocá-la mais

E aceito minha sentença

Pois ainda sim

Poderei ter minha Vampira Sombria por perto...