A vista incerta
Os ombros langues
Pierrot aperta
As mãos exagues
De encontro ao peito.
Alguma cousa
O punge ali
Que ele não ousa Lançar de si
O pobre doido!
Uma sombria
Rosa escarlata em agonia
Faz que lhe bata o coração...
Sangrenta rosa que evoca a louca
A voluptosa volúvel boca
De sua amada...
Ah, com que mágoa,
Com que desgosto
Dois fios de água
Lavam-lhe o rosto
De faces lívidas!
Da veste branca
A larga túnica
Por fim arranca
A rosa púnica
Em um soluço.
E parecia,
Jogando ao chão
A flor sombria,
Que o coração
Ele arrancara!...
