
está colado
cravado, entranhado
vou pegar em mim
vou-me destilar!
porque sou tão cega, cega
não tenho onde me agarrar
nada me diz seja o que for
nem nada do que me possam dizer
fecho-me aqui no mundo sem nome
onde alguém que desconheço
se afigura real num manto de amor
o som das águas lava-me os pensamentos
do enjoo que é a mentira
de viver no mundo lua de alguém
que consciente me quer agarrar
na eternidade de um único beijo
autêntico e sentido
o que restou
foram todos os beijos ausentes
e o frio de uma tempestade doentia
de todas as palavras que ousei ouvir
de tantos silêncios ensurdecedores
nenhum eu pedi
se pudesse rasgar-me
evaporar-me no ar
e deixa-lo apodrecer junto com o meu corpo...
